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Jesus enviou os apóstolos em missão

Dom João Carlos Seneme, css Bispo de Toledo | 13/07/2018 - 20:00

Foto: Reprodução

Pertencer à comunidade de Jesus exige de nós compromisso sério e discernimento constante. Esta pertença requer posicionamento decisivo e atitude profética contra as manipulações do mal que nos circunda: poder, egoísmo, alienação. Jesus não foi totalmente compreendido pelos seus: foi rejeitado, perseguido, mas cumpriu sua missão de anunciar e instaurar o Reino de Deus. Para isso colocou-se ao lado dos desamparados e deu-lhes vida nova, curando-os e reintegrando-os à sociedade.
O tema da liturgia de hoje é a missão: “Jesus chamou o Doze, começou a enviá-los dois a dois”. A missão não pertence aos discípulos, é de Jesus, eles podem são convocados a participar e colaborar com ele e devem fazer de tudo para que as pessoas tomem consciência de que Deus está presente no meio deles. Por isso o conteúdo da mensagem anunciada é a conversão: mudança de vida, de mentalidade; fixar os olhos no que é essencial para viver bem a vida. Porque sem conversão, sem um coração aberto, não é possível receber como boa-notícia a mensagem do evangelho, nem os frutos da graça que Deus nos concede por meio de Jesus. Os discípulos recebem de Jesus o poder de fazer o bem, de acolher as pessoas que estão sofrendo e mostrar-lhes que são amadas por Deus.
Os discípulos devem ter um sinal que os identifique com a missão que lhes é confiada por Jesus: levar somente o essencial para que nada atrapalhe a missão, devem estar abertos ao que as pessoas lhes oferecem e confiar na providência de Deus. Acolher os enviados de Jesus é acolher o próprio Jesus. “Quando entrardes em uma casa, permanecei ali até a vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem vos escutarem, saí de lá e sacudi a poeira dos vossos pés, para que sirva de testemunho contra eles”.
O evangelho de hoje é atual e convoca toda a Igreja a participar desta missão. Faz parte do ser da comunidade dos discípulos de Jesus anunciar ao mundo todo o que Deus realizou através de Jesus Cristo: “morrendo, destruiu a morte, e, ressurgindo, deu-nos a vida”. Muita gente ainda não tem consciência disso, por isso cada um de nós, membros da Igreja, somos enviados em missão, como os Doze, para dar testemunho do Reino de Deus.
A insistência do nosso Papa é significativa no mundo de hoje: todos os batizados devem assumir com vigor esta missão e ir ao encontro de todos que precisam de Deus: “Uma Igreja missionária é uma Igreja em saída, pois ela não tem medo de encontrar, de descobrir as novidades, de falar da alegria do Evangelho a todos, sem distinção. Vocês representam o espírito da missão “ad gentes”, que deve se tornar o espírito da missão da Igreja no mundo: sair, ouvir o grito dos pobres e dos distantes, encontrar todos e anunciar a alegria evangélica”.
O Reino de Deus acontece quando existem corações dispostos a acolhê-lo. Compete ao apóstolo anunciar esta exigência e ajudar as pessoas a criarem condições para que o Reino se manifeste em suas vidas.
Dom João Carlos Seneme, css
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