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Contratação de refugiados pode ser vantagem competitiva para os negócios

| 16/07/2018 - 20:00

Em 2017, foi registrado um recorde de solicitações de refúgio ao governo brasileiro. Segundo dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), 33.865 solicitações foram feitas nos postos da Polícia Federal por todo o País no último ano, 228% superior quando comparado a 2016.
Mas quem são estas pessoas em busca de acolhimento no Brasil? Segundo o próprio relatório do Conare, o refugiado é uma pessoa que deixa o seu país de origem ou de residência habitual, devido a fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, como, também, devido à grave e generalizada violação de direitos humanos, e que não possa ou não queira acolher-se da proteção de tal nação.
Apesar desta definição, no Brasil, há um grande equívoco sobre a percepção do ‘ser’ refugiado, pois há uma tendência de ‘romantizar’ a sua história, como um “coitado”, que perdeu tudo e agora está numa terra estranha e por isso precisa ser ajudado. Ou seja, uma visão basicamente assistencialista.
Além disso, há também uma grande dose de preconceito. Muitos acreditam que por estarem em um país alheio, com pouca oportunidade, estas pessoas tenderão a optar por caminhos obscuros. Ou ainda, caso consigam se recolocar profissionalmente, poderão causar danos para o contratante, pois haverá muita dificuldade de adaptação e relacionamento.
Puro engano! Sim. Os refugiados deixaram tudo para trás: família, casa, emprego, entre outros. Porém, o conhecimento é algo que ninguém pode tirar deles, que carregarão por onde forem, e essa experiência aqui no Brasil chegará apenas para somar.
Um levantamento do PARR - Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados – feito de 2012 ao início de 2018, com 2.163 refugiados que buscaram a entidade para auxiliá-los no processo de recolocação profissional no Brasil aponta que 46,3% têm ensino médio completo e 25,1% tem nível superior. Isso significa que temos pessoas, a despeito de terem saído de seus países de origens por situações adversas, bastante qualificadas, que podem agregar conhecimento e experiência e contribuir para o desenvolvimento da nossa economia.
Outro dado interessante é que 73,2% fala o português ou idiomas similares, como o espanhol, o que significa poucos problemas devido a barreira de idioma. E uma grande fatia destes refugiados, 47%, tem idade entre 25 e 35 anos. Portanto, é preciso parar de olhar o refugiado com piedade e preconceito e passar a enxergá-lo como um ser humano capaz, com conhecimento e que pode ter uma vida digna em qualquer lugar do mundo.
Do ponto de vista empresarial, ter um refugiado no quadro de funcionários pode ter um efeito muito positivo, pois é uma oportunidade de levar para a equipe outras percepções de mundo e de fazer um intercâmbio cultural. Contar com entidades como o PARR para apoiar a captação de recursos humanos para ampliar a equipe, pode ser um passo para interromper o ciclo de preconceitos em torno do refugiado.
Acredito que a mistura de culturas e uma troca intensa de experiências podem agregar muito e são super positivas para o País. É preciso empatia, entender a necessidade do negócio e ver que, independentemente de nacionalidade ou qualquer outro status, há pessoas que podem realmente contribuir. Pense nisso!
*João Marques é presidente da EMDOC, consultoria de mobilidade presente em 26 países.
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