Esporte

Paulo André Camilo: a busca dos nove segundos em cem metros

| 08/11/2018 - 18:55

Paulo André Camilo (Foto: Divulgação/CBDU)

Inspirado no pai, ele é um dos grandes nomes do desporto brasileiro atual
Em setembro desse ano, Paulo André Camilo, 20 anos, correu os 100 metros rasos em 10s02, o segundo melhor tempo na história da prova no Brasil, abaixo apenas de Robson Caetano, que cravou dez segundos em 1988. Desde então, o atletismo nacional vive a expectativa de pela primeira vez ter um corredor que chegue na marca de nove segundos.
Paulo é um dos aluno-atletas que participam da 66ª edição dos Jogos Universitários Brasileiros, onde teve a chance de baixar o tempo. Ele representa o Espírito Santo pela UNIP-Vila Velha na estreia dele nos JUBs. Sem dificuldades para chegar a final dos 100 metros rasos da disputa, ele correu para o gasto nas preliminares com o tempo de 10s40 e 10s47.
Na decisão, a mais aguardada na quarta-feira, dia 7, os olhos de quem estava na arquibancada do estádio Willie Davids eram voltados ao capixaba. Quando se posicionaram para a largada, boa parte dos presentes na área coberta se levantaram e prepararam os celulares para registrar um momento histórico, pois mesmo que o recorde nacional não saísse, a expectativa era alta para que batesse a melhor marca da história da prova nos JUBs. “O carinho da torcida é muito gratificante. Fico bem feliz de estar conquistando o pessoal que está me acompanhando. Estamos na busca do recorde”.
Ao tiro, os corredores partiram. Paulo André não deu chances para ninguém, com uma vantagem de 53 décimos de segundo para o vice-campeão, se tornou medalhista de ouro dos 100 metros rasos e pulverizou o recorde da prova, com a marca de 10s07, sendo que a anterior era 10s35. “É legal. Eu falo que estou aqui para bater recordes. Meu pai sempre falava que por onde eu passar tenho que ser campeão, mas sempre com pé no chão”, cita o atleta, dizendo que se surpreendeu com a marca devido a preparação recente de volta das férias e elogiou o nível da disputa dos Jogos.
Quanto ao desafio de entrar na casa dos nove segundos, ele enfrenta com naturalidade e tranquilidade, citando que nesse ano sentiu que era possível quebrar a marca, que era vista como assustadora por muitos corredores brasileiros. Ele ressalta, também, que além dele, outros quatro desportistas estão abaixo de 10s15, o que aumenta a competitividade.
Mesmo novo, sendo que apenas há cinco anos treina em alto rendimento, ele apresenta uma certeza que chegará lá, mas com paciência, sem pressa. “Não é um sonho distante ou impossível como se dizia nos anos anteriores. Eu estou bem tranquilo, por mais que tenha uma pressão grande. Minha família e equipe me blindam, para que eu não fique assustado com a situação. Isso é motivador. Toda vez que alguém pergunta, eu falo para mim mesmo que vou continuar treinando para fazer”. A expectativa de Paulo e equipe é que a marca chegue em 2019, pois segundo ele, será uma temporada de grandes competições.
Uma das grandes inspirações do jovem que defende o Pinheiros (SP) é seu pai, Carlos Camilo, ex-corredor, que atua como técnico dele. Ao fim da prova que o deu a medalha, ele foi até o portão que divide a pista e arquibancada para cumprimentá-lo. Carlos, em 1984, teve a chance de disputar os Jogos Olímpicos de Los Angeles, mas uma lesão o tirou da disputa. Essa passagem é uma das coisas que dão força a Paulo. “Com meu pai, eu fico 24 horas. Ele também foi atleta, mas não teve a glória olímpica. Então, eu vejo que ele se realiza comigo e tento fazer o máximo por ele, também, para chegar às Olimpíadas”. Em Tóquio 2020, Paulo André Camilo terá, ainda, apenas 22 anos. Terá uma temporada e meia para realizar todas as marcas que pretende conquistar e vem demonstrando ser possível.
Paulo André ainda disputará a prova de 200 metros rasos. As competições de atletismo vão até a noite dessa sexta-feira e ocorrem no estádio Willie Davids.
Os JUBs 2018 são uma realização da CBDU, em parceria com a Secretaria de Esportes e Lazer da Prefeitura Municipal de Maringá e da Federação Paranaense de Desportos Universitários (FPDU). Patrocínio CBDU: Correios. Apoio CBDU: Gympass e SuperBolla. Parceria Institucional: Ministério do Esporte, Comitê Olímpico Brasileiro e Comitê Paralímpico Brasileiro.
Fonte: Felipe Augusto/CBDU
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