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Um olhar sobre o modelo de negócio do Facebook

| 29/01/2019 - 15:00

Um olhar sobre o modelo de negócio do Facebook

Por Mark Zuckerberg
No próximo mês, o Facebook completa 15 anos. Quando comecei o Facebook, não estava tentando construir uma empresa global. Naquela época, percebi que era possível encontrar quase tudo na internet -- músicas, livros, informações--, exceto o que mais importa: as pessoas. Então criei um serviço que as pessoas pudessem usar para se conectar e saber mais umas sobre as outras. Ao longo dos anos, bilhões de pessoas acharam isso útil, e construímos mais serviços que as pessoas em todo o mundo amam e usam todos os dias.
Recentemente, tenho visto muitas perguntas sobre nosso modelo de negócio, então quero explicar os princípios sobre como nós operamos.
Acredito que todos devam ter voz e se conectar. Se estamos comprometidos em servir a todos, então precisamos de um serviço que seja acessível a todos. A melhor maneira de fazer isso é oferecer serviços gratuitos, algo que os anúncios nos permitem fazer.
As pessoas sempre nos dizem que, se vão ver anúncios, querem que eles sejam relevantes para elas. Isso significa que precisamos entender no que elas estão interessadas.
Então, com base no que as pessoas clicam, quais páginas curtem e outros sinais, criamos categorias --por exemplo, pessoas que gostam de páginas sobre jardinagem e vivem na Espanha-- e então cobramos de anunciantes para mostrar anúncios para esse grupo de pessoas. Embora propaganda para grupos específicos exista muito antes de a internet existir, a publicidade online permite um direcionamento muito mais preciso e, assim, anúncios mais relevantes.
A internet também nos permite oferecer mais transparência e controle sobre quais anúncios você vê do que é possível na TV, rádio ou mídia impressa. Em nossos serviços, você tem controle sobre qual informação nós usamos para lhe mostrar anúncios, e você pode bloquear qualquer anunciante.
Você pode saber por que está vendo um anúncio e mudar suas preferências para receber anúncios que sejam mais interessantes para você. E você pode usar nossas ferramentas de transparência para ver todas as propagandas que um anunciante está fazendo, mesmo que você não seja o público-alvo daquela campanha.
Ainda assim, alguns estão preocupados com a complexidade desse modelo de negócio. Em uma transação comum, você paga uma empresa por um produto ou serviço que ela fornece. Isso é simples.
Mas aqui você pode usar nossos serviços gratuitamente --e trabalhamos separadamente com os anunciantes para mostrar anúncios relevantes para você. Esse modelo pode parecer opaco, e todos nós naturalmente desconfiamos de sistemas que não entendemos.
Às vezes, isso faz com que as pessoas pensem que nós fazemos coisas que não fazemos. Por exemplo, nós não vendemos dados das pessoas, apesar de isso ser dito com frequência. Na verdade, vender informações das pessoas seria contrário aos nossos interesses de negócio, porque isso reduziria o valor do nosso serviço para anunciantes. Temos um forte incentivo para proteger as informações das pessoas de serem acessadas por qualquer outra pessoa.
Alguns temem que os anúncios criem um desalinhamento de interesses entre nós e as pessoas que usam nossos produtos. Muitas vezes me perguntam se temos um incentivo para aumentar o engajamento no Facebook porque isso cria mais espaço para anúncios --mesmo se isso não for o mais interessante para as pessoas.
Eu quero ser claro: estamos focados em ajudar as pessoas a compartilhar e se conectar mais, porque o objetivo de nosso serviço é ajudar as pessoas a manter contato com a família, os amigos e as comunidades. Mas, do ponto de vista do negócio, é importante que o tempo das pessoas seja bem gasto, ou elas não usarão nossos serviços da mesma maneira no longo prazo. Conteúdos ruins ou caça-clique podem gerar engajamento no curto prazo, mas seria insensatez mostrarmos isso intencionalmente porque não é o que as pessoas querem.
Outra questão é se mantemos nas nossas plataformas conteúdos divisivos ou nocivos porque eles geram engajamento. Nós não fazemos isso. As pessoas sempre nos dizem que não querem ver esse tipo de conteúdo.
Os anunciantes também não querem suas marcas perto desse tipo de conteúdo. A única razão pela qual conteúdos ruins estão disponíveis é porque as pessoas e os sistemas de inteligência artificial que usamos para revisá-los não são perfeitos --não porque temos um incentivo para ignorar esses conteúdos. Nossos sistemas ainda estão evoluindo e melhorando.
Finalmente, há a importante questão sobre o modelo de anúncios, se ele incentiva empresas como a nossa a usar e armazenar mais informações do que precisaríamos para oferecer nossos serviços.
Sobre isso, não há dúvidas de que coletamos algumas informações para exibir anúncios --mas essas informações também são normalmente importantes para a operação e a segurança de nossos serviços.
Por exemplo, as empresas frequentemente colocam um código em seus aplicativos e sites para que, quando uma pessoa inclua um determinado produto em seu carrinho de compra online, elas possam exibir anúncios posteriormente para lembrar a pessoa de concluir a compra. Mas esse tipo de sinal também pode ser importante para detectar fraudes ou contas falsas.
Nós damos às pessoas controle completo sobre o uso dessa informação para anúncios, mas não deixamos as pessoas controlarem como usamos essa informação para a operação ou segurança de nossos serviços. E quando nós pedimos às pessoas permissão para usar essa informação para melhorar os anúncios que elas veem, para cumprir com a nova legislação de proteção de dados europeia (GDPR), a ampla maioria delas nos disse que queria isso porque elas preferem ver anúncios mais relevantes.
Em última análise, acredito que os princípios mais importantes em torno de dados sejam transparência, escolha e controle. Precisamos ser claros sobre como estamos usando a informação, e as pessoas precisam ter claras escolhas sobre como querem que a informação seja usada. Acreditamos que regulações que considerem esses princípios para toda a internet sejam boas para todos.
É importante fazermos tudo isso da maneira adequada, porque há benefícios claros com esse modelo de negócio. Bilhões de pessoas possuem um serviço gratuito para se manter conectadas às pessoas com as quais se importam e para se expressar. Pequenos negócios em todo o mundo têm acesso a ferramentas para crescer e criar empregos.
Mais de 90 milhões de pequenas empresas têm presença no Facebook, e elas representam uma parte importante do nosso negócio. Muitas delas não tinham condições de pagar por anúncios na TV ou outdoors, mas agora têm acesso às mesmas ferramentas que antes só as grandes empresas tinham.
Isso cria enormes oportunidades, já que as pequenas empresas são responsáveis pela maior parte dos novos empregos e crescimento econômico em todo o mundo.
Em uma pesquisa global, metade das empresas disse ter contratado mais funcionários desde que estão presentes no Facebook. Isso significa que elas estão usando nossos serviços para criar milhões de empregos.
Para nós, tecnologia sempre foi colocar o poder nas mãos do maior número possível de pessoas. Se você acredita em um mundo onde todos conseguem usar sua voz e têm a mesma chance de ser ouvido, onde todos podem começar um negócio do zero, então é importante construir uma tecnologia que sirva a todos.
Esse é o mundo que estamos construindo todos os dias, e o nosso modelo de negócio torna isso possível.
Mark Zuckerberg é Presidente-executivo e fundador do Facebook
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