Cultura

A trajetória de Ida Hannemann de Campos; uma homenagem à artista

| 13/03/2019 - 17:40

Foto: Kraw Penas

Foi em uma brincadeira singela da infância — jogando amarelinha — que a pintora, desenhista e gravadora Ida Hannemann de Campos (16 de junho de 1922 – 3 de março de 2019) percebeu o seu gosto pelas artes: ela se deu conta que queria seguir isso para a vida quando desenhou, aos 8 anos, um homem baixinho e barrigudo nos riscos pela calçada. Estava certa: a artista, que faleceu no começo de março, aos 97 anos, foi uma das mais representativas na história da arte paranaense e brasileira, e se manteve em plena e intensa produção até o fim da vida em seu ateliê, que ficava em sua residência, no bairro Bom Retiro, em Curitiba.
Ida também era múltipla: foi, ainda, ceramista, tapeceira e poeta. Buscava inspiração para produzir nos pequenos fatos do dia a dia (como as cores de uma bolha de sabão) ou nos seus livros favoritos (era fã de Dante Alighieri). Participou de 32 salões oficiais de arte e foi a primeira artista plástica a realizar uma exposição individual em galeria de arte em Curitiba; foi em novembro de 1959, na icônica Galeria Cocaco, onde ela exibiu 35 telas.
Obras da artista estão no acervo de dois museus paranaenses: Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR) e Museu Oscar Niemeyer (MON). No MAC-PR, são três trabalhos: “Natureza Morta” (1972), “Matinal” (sem data) e “Horto das Oliveiras I” (1976). No MON, são dez trabalhos; desde um autorretrato do começo da carreira, de 1943, até pinturas do fim dos anos 1980. Seu estilo, tão diverso como único (que teve influências do expressionismo e cubismo), e o domínio de várias técnicas a tornaram representante da primeira geração modernista do Paraná, que teve como mestre o pintor Guido Viaro.
Aprendizado
Sua formação como artista começou no colégio Divina Providência, em Curitiba. Uma de suas professoras, uma freira alemã, ensinou a ela os primeiros passos; Ida pintava gatinhos, santinhos e presenteava a mãe e as amigas. Os pais enxergaram a sensibilidade e potencial da filha e a incentivaram. Por indicação do pintor Theodoro de Bona, amigo da família, Ida começou a frequentar, em 1941, o ateliê livre de pintura do professor Guido Viaro, situado na Sociedade Dante Alighieri, local que se tornou ponto de encontro entre artistas e intelectuais de Curitiba. Foi lá que a pintora teve como colegas Miguel Bakun, Dalton Trevisan e outros nomes que se projetaram futuramente nos meios artísticos e literários.
Estudou no ateliê até 1943 e, por incentivo de Viaro, começou a produzir seus trabalhos e a participar dos salões. Leituras, cursos com críticos de arte e pesquisas sempre fizeram parte do cotidiano da artista ao longo da carreira. Ganhou 14 prêmios honoríficos, como o Diploma de Honra em Exposição Feminina no Rio de Janeiro (1948); Medalha de Prata no 19º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba/PR (1962), entre outros. Em 2013, o MON realizou retrospectiva de seu trabalho; em 2015, a Bienal de Curitiba apresentou as pesquisas mais recentes da artista e desenhos inéditos.
Homenagem
No último sábado (9), uma missa de 7º dia foi realizada em Curitiba, às 18h30, na Paróquia Santa Maria Goretti (Rua Cel. João Guilherme Guimarães, 2000, bairro Bom Retiro/Jardim Schaefer).
Texto: Isadora Rupp/Seec
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