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Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração

| 27/07/2014 - 00:01

Dom João Carlos Seneme, css*
Jesus “falava em parábolas às multidões” (13,34) e Ele conclui o seu discurso sobre o Reino de Deus com três parábolas curtas. As duas primeiras explicam, não a aparência do Reino, mas sua natureza oculta, e a atração irresistível que exerce naqueles que querem descobri-lo. A ênfase é colocada sobre a reação de quem encontra o tesouro ou naquele que, ansiosamente, estava procurando a pérola. Jesus quer deixar claro que o Reino de Deus não está facilmente ao alcance de todos, mas que todos podem encontrá-lo. É como o tesouro ou a pedra preciosa, que precisa ser encontrada. Ele dá este exemplo para nos ajudar a entender seu pensamento: quando alguém sabe onde está o tesouro, ele estará pronto a vender tudo para obtê-lo. Ele vai se desfazer de tudo que tem para possuí-lo. A renúncia radical é necessária – é o preço que deve ser pago para atingir o Reino. Quem não tem esta capacidade, ou não quer arriscar, não está em condições de descobrir o Reino de Deus porque precisa se libertar de muitas coisas e investir naquilo que é necessário para encontrar a felicidade plena. A exigência que Jesus apresenta aos seus discípulos ainda é válida hoje. A renúncia provoca alegria no lavrador porque tem consciência de que ele está ganhando o Reino. Não é uma renúncia como um fim em si mesma, mas é uma condição. Quando se descobre o bem supremo, tudo se torna supérfluo diante dele. O mesmo se dá diante da pérola preciosa. Vale a pena investir tudo para adquiri-la. A descoberta do Reino muda a vida de quem o descobre: o sinal é a alegria e a paz porque tem certeza que encontrou o essencial para viver, a verdadeira felicidade.
Pois bem, se o Reino dá origem a esse tipo de reação em quem o descobre e se Deus pede este tipo de renúncia a quem o encontra, o que está acontecendo conosco? Por que continuamos a nos apegar às coisas que temos, grandes e pequenas? Por que temos tanto medo de perder o pouco que temos? Por que Deus e o seu Reino não conseguem despertar em nós a reação que é normal quando se descobre um tesouro ou uma pérola de grande valor? Poderia ser porque Deus e o seu Reino ainda não são o nosso maior tesouro e nossa descoberta mais valiosa?
Se Deus não é uma atração irresistível para nós, e se o seu reino não despertar em nossos corações a capacidade de renúncia, então nós temos que dizer que ainda não descobrimos o Reino que continua escondido. Deus está lá esperando por nós na esperança que o encontremos e o reconheçamos.
A fé, porém, não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus. Tem a sua origem na iniciativa de Deus, que nos desvenda a sua intimidade e nos convida a participar da sua própria vida divina. A fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de Si mesmo. Deste modo, a pergunta de Jesus: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”, no fundo está impelindo os discípulos a tomarem uma decisão pessoal em relação a Ele. Fé e seguimento de Cristo estão intimamente relacionados (Papa Bento XVI). Por isso, precisamos estar atentos, abertos à manifestação de Deus.
Sabemos também que buscar a Deus exige esforço. Talvez a primeira coisa a fazer é o encontro profundo consigo mesmo e escutar o que diz os nossos corações, lugar de grandes decisões. Daí empreender um caminho frutuoso de encontro com Deus através da oração, onde vamos aprender que não somos o centro absoluto de nossas vidas. Existe um tesouro a ser descoberto: encontrar-se com o Deus de Jesus Cristo que pode responder de maneira plena às perguntas mais vitais e aos anseios mais profundos.
* O autor é bispo de Toledo
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