Artigos

Quem não se comunica, desmotiva!

| 30/07/2014 - 00:01

Airton Cicchetto*
Parece inacreditável, mas nos dias atuais, ainda existem líderes que não se comunicam com seus subordinados. A importância da comunicação bem como os benefícios que ela proporciona às empresas e a todas as suas pessoas são amplamente comprovados. São inquestionáveis. Mesmo assim, no ambiente empresarial, há líderes que não dão atenção a seus colaboradores. É o que revela uma pesquisa publicada pela revista Exame em julho desse ano, que ouviu uma amostra estatística de mais de 1.200 pessoas e que comprova a negligência dos chefes no que diz respeito à boa comunicação com a equipe.
Segundo a pesquisa, 41% dos gestores dizem dedicar muita atenção aos seus funcionários, mas apenas 9% concordam com seus chefes neste quesito. Estes dados são, de certa forma, alarmantes, pois 91% dos trabalhadores não se sentem ouvidos por seus superiores, percepção que se confirma na mesma pesquisa, visto que mais da metade dos chefes, 59% deles, de fato, não declararam dedicar atenção a seus subordinados.
Da teoria, sabe-se que os principais objetivos da comunicação são: tornar o pensamento comum aos outros, produzir uma resposta e persuadir. No mundo corporativo, é do senso comum que a boa comunicação é vital para alinhar o foco, incentivar a participação e o comprometimento das pessoas para delas obter o melhor desempenho individual e motivação para cooperar com os diferentes programas e projetos da empresa. Como se pode notar, esta é a exata aplicação dos objetivos da comunicação.
Não é possível conceber, nas empresas modernas, a prática do “tautismo”, que Lucien Sfez, professor da Universidade de Paris, define como contração de dois termos: tautologia e autismo. De forma simples e abreviada, por tautologia, entende-se o vício de linguagem que consiste em dizer, por diversas formas, sempre a mesma coisa e, por autismo, pode-se entender a doença do auto encerramento, pela qual o indivíduo deixa de ter necessidade de comunicar seu pensamento aos outros e de se adequar aos demais.
Nos dias de hoje, definitivamente, os líderes não podem ser introvertidos ou inacessíveis, encerrando-se em seus próprios pensamentos (gestores autistas) nem, da mesma forma, podem se desligar da realidade exterior e se fixar nas suas próprias verdades, exercitando a tautologia. Ao contrário, os gerentes têm a missão de comunicar-se intensamente com seus subordinados e seus pares, captar o que se passa no ambiente, adequar-se, rever planos e posições, mantendo a motivação e o engajamento de todos. Se assim não estão fazendo, estão falhando e, neste caso, estão falhando também suas empresas.
Os funcionários hoje apreciam os sistemas sofisticados e o emprego de alta tecnologia de comunicação, mas também, e principalmente, querem ter contato pessoal com seus líderes. Assim como existem no ambiente das empresas obstáculos e dificuldades ao estabelecimento do diálogo, também pode e deve haver condições que o favoreçam.
Compete a elas prover condições facilitadoras, e neste sentido, é de fundamental importância que as empresas formatem sistemas de comunicação compostos de oportunidades e temas que incentivem a troca de ideias entre os empregados, deixando muito claro que são abertas ao diálogo e tem compromissos claros com a segurança, o bem-estar e o desenvolvimento de todos, inclusive, cobrando o alinhamento de seus líderes a estes princípios.
Assim o fazendo, incentivando a comunicação, estarão naturalmente induzindo seus líderes a dedicar atenção aos subordinados e, consequentemente, alinhando focos, motivando e obtendo respostas positivas no desempenho do pessoal. Do contrário, estarão desmotivando e alimentando as estatísticas dos descontentes e assim, distanciando-se dos saudáveis objetivos da comunicação.
* O autor é consultor, palestrante empresarial, engenheiro, mestre em administração e idealizador do modelo SCG - Simples Complexo Gerencial - Simplificando a Gestão.
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Artigos'

Gestão por meio do ambiente quântico

Turismo e eleição no Admirável mundo novo

A arte de encontrar o consenso a partir do dissenso

Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!

Jornada do encantamento do consumidor em ambiente digital

Até onde a empresa tem poder sobre o empregado?

Eleição 2018: divisor de águas

Como você se automotiva?

Estrela da campanha, a segurança precisa ser discutida a fundo

Perspectiva do emprego 2018/2019

Mais Destaques
"Ultrapassamos 16 milhões de acessos no site do Jornal Gazeta de Toledo. Aqui se propaga - 45 9.91339499"
(Eliseu Langner de Lima - diretor)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)