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Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo!

| 24/08/2014 - 00:01

Dom João Carlos Seneme, css*
Neste domingo, o Evangelho nos leva a vivenciar um momento importante na vida da comunidade de Jesus e seus discípulos. São abordados dois temas que constroem a vida cristã: Cristo e a Igreja. Os discípulos são convidados a aderirem a Jesus acolhendo-o como “o Messias, Filho de Deus vivo”. Dessa adesão, nasce a Igreja – a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada ao redor de Pedro, “pedra sobre a qual construirei a minha Igreja”. A missão da Igreja é dar testemunho da salvação que Jesus veio trazer. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves – isto é, de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e de acolher na comunidade todos aqueles que aderem à salvação que Jesus oferece.
Jesus quer que os discípulos tomem consciência do que está escondido na sua mente e no seu coração e que exprimam a sua convicção. Ao mesmo tempo, porém, Ele sabe que o juízo que vão manifestar não será apenas obra deles, porque é dom que o Pai derramou nos seus corações com a graça da fé.
Este acontecimento nas vizinhanças de Cesareia de Filipe introduz-nos na dinâmica da fé. Desvenda-se aí o mistério do início e da maturação da fé. Primeiro, está a graça da revelação: uma íntima e inefável doação de Deus à humanidade. Vem depois o apelo a dar uma resposta. Por fim, aparece a resposta que doravante há de dar sentido e configurar toda a sua vida.
A fé é a resposta racional e livre à Palavra do Deus vivo. As perguntas que Cristo faz, as respostas que são dadas pelos Apóstolos e finalmente por Simão Pedro, constituem uma espécie de exame da maturidade da fé daqueles que vivem mais perto de Cristo. É a confissão de fé da comunidade que acredita que Jesus é o Salvador. Esta clareza é uma graça, dom de Deus, que exige capacidade de ver e reconhecer o Senhor e a humildade de identificá-lo: “Sou eu, não tenhais medo”. “E o reconheceram ao partir o pão”.
É sobre a fé dos discípulos (isto é, sobre a sua adesão ao Cristo libertador e salvador, que veio do Pai ao encontro dos homens com uma proposta de vida eterna e verdadeira) que se constrói a Igreja de Jesus. A Igreja é a comunidade dos discípulos que reconhecem Jesus como “o Messias, o Filho de Deus” e se comprometem a direcionar a vida a partir desta fé.
A Igreja de Jesus existe para testemunhá-lo e para levar a todos a proposta de salvação que Cristo veio oferecer. Temos consciência desta dimensão “profética” e missionária da Igreja? As pessoas com quem convivemos dia a dia – em casa, no emprego, na escola, na rua, nos acontecimentos sociais – recebem de nós este anúncio e este convite a integrar a comunidade da salvação?
A comunidade dos discípulos é uma comunidade organizada e estruturada, onde existem pessoas que presidem e que desempenham o serviço da autoridade. Essa autoridade não é, no entanto, absoluta; mas é uma autoridade que deve, constantemente, ser amor e serviço. Sobretudo, é uma autoridade que deve procurar discernir, em cada momento, as propostas de Cristo e a interpelação que Ele lança aos discípulos e a todas as pessoas.
Neste domingo do mês vocacional celebramos a vocação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, “sal da terra e luz do mundo”. É necessário que os leigos assumam com ardor a sua missão evangelizadora, a fim de humanizar e transformar as estruturas e as relações pela vivência e pelo testemunho do Evangelho em seus ambientes de convivência. São homens e mulheres da Igreja no coração do mundo, homens e mulheres do mundo no coração da Igreja. Ao celebrar o Dia dos Cristãos Leigos e Leigas queremos expressar nossa mais profunda gratidão por tantos homens e mulheres que, vivendo sua fé, testemunham seu amor a Cristo e à Igreja, na dedicação de seu tempo a serviço dos demais irmãos em nossa Diocese.
* O autor é bispo de Toledo
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